Areia é uma das cidades que compõe a chamada microrregião do brejo paraibano e nas temporadas de inverno promovem juntamente com outras o evento cultural chamado de caminhos do frio. Estivemos na região no período de 29 a 31 de janeiro/2021, nos hospedamos na zona rural de Pilões, pertinho de Areia (6 km).

Vale registrar que pelo menos estas duas cidades focam no turismo rural e ecoturismo, sem esquecer também dos aspectos históricos, prova disso são as estruturas das casas mostrando a infraestrutura mais antiga e bem coloridas.
Bem, então vamos lá ao nosso roteiro:
29/01 – NOITE – chegamos no final da tarde em Pilões/PB, após guardamos nossas coisas na casa fomos para o centro de Pilões e fizemos umas comprinhas em um dos mercadinhos da cidade e em seguida fomos jantar no simples mas delicioso “Cuscuz da Diva” (@cuscuzdadiva). Além do delicioso cuscuz recheado com charque, calabresa, carne de sol, entre outros sabores, há também outros itens no cardápio, como panquecas, sucos, canjas, etc. Comida muito boa, atendimento muito rápido e o preço é excelente.

30/01 – MANHÃ e TARDE – Visita a comunidade Chã de Jardim. A comunidade é um case de sucesso de como o turismo de forma criativa e sustentável pode beneficiar uma comunidade local. O projeto iniciou com uma associação de jovens empreendedores da comunidade que após conquistar sua formação profissional decidiram ficar onde estavam ao invés de irem para outras regiões do país em busca de novas oportunidades. Eles viram no turismo a ferramenta para melhorar e criar as oportunidades ali mesmo. Muito bacana mesmo, impossível não se apaixonar e se inspirar com eles.

O primeiro passo deles foi criar um roteiro de trilhas e caminhadas no cenário da mata atlântica, fizemos a Trilha do Cumbe com 700 m (a menor trilha do Parque Estadual Pau Ferro), já que no grupo tínhamos duas crianças e uma grávida (eu). Durante a trilha há explicações sobre a fauna e flora; apresentação da história da reserva e dinâmicas durante o percurso. O guia Daniel foi muito atencioso desde nosso primeiro contato, temos só a agradecer. (Guia @_daniel.ribeiro). Valor: 10,00 pessoa, crianças R$ 5,00 (manutenção do parque). Agendamentos: (83) 9837-3870 – Como chegar: https://maps.app.goo.gl/jSAXJrpmKGS4V9E97 . Também é possível realizar outras atividades neste contexto como piqueniques a céu aberto.

Após a trilha pudemos conhecer o projeto Galerias é uma galeria de arte a céu aberto, artistas de várias regiões do país foram a comunidade e registraram nas paredes das casas a história da comunidade, a vivência do nordestino, a cultura, os sonhos, enfim, belíssimo trabalho. Há um documentário no youtube https://youtu.be/D5StYhbyxsw mostrando um pouco de como tudo isso aconteceu.


Para estimular a permanência do turista na região, eles entenderam que precisariam criar outros atrativos, como por exemplo: onde comer? Foi aí que criaram o Restaurante Rural vó Maria (@restaurantevomaria). O restaurante possui traços da cultura local e nordestina, como a casa de taipa da vó Maria, a casa de farinha, além da decoração e outros elementos que remetem a cultura nordestina. A comida é totalmente regional, no cardápio você encontra carne de bode, porco, frango, galinha de capoeira, linguiça caseira, picado, além do arroz de vó, a farofa de vó, e tantas outras delícias gastronômicas que fizeram o restaurante uma atração conhecida em toda a região (valor R$ 25,00 por pessoa, sem balança, valores de janeiro de 2021). Eles trazem de fora apenas o que não conseguem produzir na comunidade, outra coisa muito importante que estila a economia local, beneficiando as famílias lá inseridas.

No local também é possível encontrar a vila empreendedora e a bodega vó Maria com alguns produtos confeccionados pelos próprios moradores, artesanatos, doces, mudas de plantas, entre outros. Tudo muito interessante.
Como estamos vivendo em tempos de pandemia ocasionada pela covid-19, vale registrar que foi um dos lugares que conheci que cumprem rigorosamente todos os protocolos de biossegurança. Tudo sinalizado, respeitando o distanciamento, todos os funcionários cuidando e orientando os clientes de como proceder.

Após o almoço, foi hora de conhecer o sítio casa de vó (@sitioocasadevo) pertinho do restaurante, cerca de 1km, o local foi pensado para resolver a questão de onde ficar. Na área funciona o Hotel de Barracas, um acampamento com barracas já montadas com leitos, roupas de cama, de banho e kit de higiene, além de atrações no local, como parquinho e uma casinha que é um biblioteca infantil, piscina, criação de animais, as crianças podem passear nos pôneis (Valor R$ 10,00), aluguel de bicicletas (Valor 10,00) campo de futebol e vôlei, tiro ao alvo e slackline (tipo corda bamba kkkk).

Para quem não curte se hospedar nas barracas no sítio há dois chalés (vó Socorro – 4 pessoas e o vó Maria – casal). Como informei inicialmente não ficamos hospedados lá, mas ficamos com vontade depois que visitamos. O day use custa R$ 10,00 por pessoa, com direito a usufruir de todos os ambientes do sítio, exceto a parte das hospedagens e a área de piscina. Horário de funcionamento: 9h às 16h.

NOITE – Voltamos para Pilões e jantamos novamente no Cuscuz da Diva, prova que gostamos mesmo de lá rsrsrs.
31/01 – MANHÃ – A intenção era conhecer o centro histórico de Areia, no entanto, devido a pandemia alguns locais estavam fechados, pelo menos aqueles que tínhamos mais interesse em conhecer e também não fizemos contato com nenhum guia local com antecedência, mas segue alguns locais interessantes para visitação, se tiver tempo e oportunidade e curtam história, certamente não se arrependeram:

Teatro Minerva ( O primeiro teatro da Paraíba) – horário de visitação aos domingos: 9h às 12h – o mais antigo da Paraíba foi inaugurado em 1859, quando a capital da província não contava ainda com uma casa de espetáculos. Além de sua função artística e recreativa, o Teatro Minerva se constitui um exemplo vivo de quanto pode a iniciativa privada. O “Recreio Dramático”, como era chamado, gozou de grande influência chegando mesmo a atrair as companhias de opereta, que se exibiam nos principais centros urbanos do País. No começo deste século, da Administração Municipal do Dr. Otacílio de Albuquerque recebeu o Teatro o acabamento de que carecia: iluminação a acetileno, mobiliário, varanda e jardim lateral. Colocou-se nessa ocasião, no frontispício do prédio, uma estatueta da Deusa Minerva, do que lhe resultou a mudança do nome para Teatro Minerva.
Museu da rapadura – (fechado em razão da pandemia) – tem como principal Missão institucional preservar a história do homem do campo do brejo paraibano, com ênfase na cultura da cana-de-açúcar. Presente desde os primórdios da colonização, a casa-grande foi elemento organizador da sociedade, núcleo de dominação social, econômica e política, apoiado nas relações de trabalho escravista e semifeudais. Funcionou como engenho de cachaça e rapadura, fundamentando-se na estrutura latifundiária e na monocultura de cana-de-açúcar. Está localizado no Campus II – UFPB – Centro de Ciências Agrárias.
O Casarão José Rufino que abriga senzalas urbanas – 8h às 17h – Foi o primeiro sobrado erguido na então Vila de Areia, em 1818, pelo português Francisco Jorge Torres. Foi restaurado na década de 70 por José Rufino de Almeida, bisneto do Francisco Jorge Torres. No Solar nasceu o historiador Horácio de Almeida, autor do livro “BREJO DE AREIA”. O prédio, funciona a Secretaria de Turismo e Eventos, Secretaria de Cultura, o Procon da Prefeitura Municipal de Areia e o Escritório Técnico do IPHAN. Uma espécie de museu. Trata-se de uma construção sólida onde foram conservadas ao máximo, as linhas originais características à arquitetura colonial. Possui três pavimentos, incluindo o sótão de águas-furtadas, onde se encontram mirantes em forma de seteiras, cuja finalidade era permitir a penetração da luz e do ar além de servir eventualmente para defesa.
A casa do pintor Pedro Américo – 8h às 11h e 13h às 17h – A casa onde nasceu o grande artista plástico, Pedro Américo de Figueiredo, é uma construção simples, conjugada, com uma porta, duas janelas na frente e duas salas. Na primeira, tem um banner do quadro “Batalha do Avaí”. Há também um retrato de Pedro Américo, pintado por seu irmão Aurélio de Figueiredo. Expostos numa vitrine, objetos de uso pessoal: alguns pincéis, um velho esquadro. Também uma palmatória que pertenceu à sua mãe, um álbum de caricaturas, fotos da família e os livros escritos por ele na Europa – “Holocausto”, em 1882, “O Foragido”, em 1899, “Na Cidade Eterna”, em 1901, além de um crucifixo e um vidro contendo uma página de jornal, retirados de seu caixão mortuário. Na segunda sala, tem o quadro original “Cristo Morto”, de inestimável valor, um dos seus últimos trabalhos, pintado em 1901, juntamente com alguns esboços autênticos.
Não conseguimos visitar a maioria destes pontos, pois as crianças estavam um pouco inquietas, sendo assim, seguimos para nosso plano B. Fomos conhecer o Balneário Rio água viva ou Furna (funcionamento: 8h às 16h, contato: 83 98110 4273). OBS. Não siga as orientações do GPS do google, pois a localização está errada, ela te leva para o centro de Areia, entre em contato e peça a localização correta:https://www.google.com/maps/place/7%C2%B001’22.9%22S+35%C2%B041’59.7%22W/@-7.023022,-35.7021156,17z/data=!3m1!4b1!4m5!3m4!1s0x0:0x0!8m2!3d-7.023022!4d-35.6999269?hl=pt-BR . O acesso não é fácil, estrada de chão batido com muitas subidas e descidas íngremes, mas é um graça o lugar, dá para ir de carro de passeio, mas se for período chuvoso, acho que será meio complicado.
O balneário possui 3 piscinas naturais, sendo uma infantil. Quando fomos, apenas duas estavam com água, mas duas semanas depois as chuvas chegaram na região e a terceira e mais famosa a do escorregador também já estava cheia. Taxa de visitação: 10,00 por pessoa, no local também há restaurante, comida caseira e típica do nordeste brasileiro.

As próximas imagens foram da segunda semana de fevereiro, quando o período de chuvas iniciaram na região.

Outras dicas para quem vai a região com mais tempo e se for no período chuvoso (fevereiro a abril) é conhecer as cachoeiras da manga e de Ouricuri, no final de janeiro ainda estavam secas. Outra dica também para os mais aventureiros é prática de rapel na Pedra do Cruzeiro, localizada na Serra do Espinho (entre Pilões e Pilõezinho), zona rural. A pedra tem em torno de 150 metros de altura, de onde é possível ver as cidades de Cuité e Alagoinha. Algumas empresas de rapel fazem a prática numa altura de 12 metros. Turistas aproveitam o ponto para contemplação do pôr do sol que proporciona uma vista fantástica, não conhecemos o local, importante contactar um guia local, me falaram que o acesso não era fácil, como estávamos com crianças e eu grávida, achamos melhor não arriscar. Outro local é a Pegada de Jesus, também em Pilões, moradores contam que o nome é oriundo do desenho que tem na pedra, que parece uma pegada. Segundo eles, Jesus teria passado por ali e teria deixado a sua pegada. A lenda é que ao chegar na formação, você deve colocar seu pé sobre o desenho na rocha, se ele se encaixar na pegada, haverá sorte em seu destino naquele ano rsrsrsrs. Visitação dia inteiro. Aconselhamos ir apenas com guia ou condutores locais.
Deixo aqui nosso muito obrigada a todos nos receberam super bem em todos os locais que visitamos, aproveitem se sigam eles nas redes sociais e caso decidam visitar a região é só contatá-los.